"Todos têm o mundo aos seus pés"


Reconciliação

Devido ao gigantesco e imperdoável erro da academia de não ter dado o oscar de melhor ator para o Johnny Depp ano passado pela sua brilhante – e perfeita – atuação em “Piratas do Caribe”, como o Jack Sparrow, eu estava com muito medo do oscar. Muito mesmo. Amei “Encontros e Desencontros”, mas a atuação do Bill Murray não chega nem perto da genialidade de Johnny Depp como o pirata mais afetado da história do cinema. Uma injustiça. Estava determinada a nunca mais levar o oscar a sério.                                                                                                                                                                                                                                        

E não estava mesmo levando nada daquilo a sério. A Flávia e eu nos divertimos absurdamente vendo as estrelas de Hollywood e a Gisele na telinha. Não precisávamos de mais nada. Comentários engraçadinhos, fofcas, xingamentos, palavrões e crises de riso o tempo todo. Mentira. Só precisávamos de mais uma coisa: uma pipoquinha... Teria caído muito bem.

O medo foi passando, depois que “Brilho Eterno...” levou o oscar de melhor roteiro. Nada mais justo. O roteiro dele é tão genial que cada vez que eu paro pra pensar sobre ele eu fico mais admirada, confusa e entendo menos como alguém pode ter uma idéia tão brilhante assim. Anyway...

Quando Hilary Swank ganhou o oscar de melhor atriz eu fiquei muito feliz. A atuação da Kate Winslet em “Brilho Eterno...” também foi maravilhosa. E a concorrência não estava nada mal. Deu pra perceber, mesmo não tendo visto os outros filmes. Mas achei a premiação justíssima. Estranhamente. Não que ela não merecesse, mas os atores que eu acho que merecem nunca ganham. 

 

Já estava satisfeita. Por mais que eu tivesse certeza de que “O Aviador” levaria todas as outras estatuetas, apesar de não tê-lo visto, eu sabia que – pelo menos pra mim - , “Menina de Ouro” tinha sido o melhor filme. Não preciso ver “O Aviador” para ter certeza disso. Mas eu já estava conformada com a injustiça do oscar. Que ainda não tinha vindo à tona, mas isso era apenas uma questão de tempo. Pra ser mais precisa, uma questão de chegar a hora em que Clint Eastwood perdesse o oscar de melhor diretor para Martin Scorcese e “O Aviador” ganhasse o oscar de melhor filme no lugar do verdadeiro melhor filme, “Menina de Ouro”.

 

Quando a Julinha anunciou o vencedor do oscar de melhor diretor, eu não pude acreditar. Ele! Clint Eastwood. A emoção foi tamanha que a Flávia e eu não pudemos nos conter. Vibramos, gritamos e nos abraçamos. Uma cena ridícula – digna de uma Copa do Mundo -, mas foi do fundo do coração. Eu já sabia que ele tinha sido o melhor – assim como no caso do Johnny Depp - e que tinha feito a melhor cena do universo, mas é tão bom quando alguém que merece tanto é reconhecido... Puxa, e ele mereceu. Se mereceu.    

 

Eu não precisava de mais nada. Podia ir dormir. Sabia que o melhor filme era “Menina de Ouro”. E, mesmo com tamanha felicidade e com o surto de justiça do oscar este ano, não conseguia acreditar que o melhor filme ganharia realmente o oscar de melhor filme. E, mais uma vez, eu me surpreendi. Dessa vez, a minha reação foi ficar boquiaberta de frente pra televisão, dizendo “eu não acredito” algumas vezes. E não consigo acreditar até agora em como achei justa e fiquei feliz com a premiação.

Bem, foi só um desabafo. Fiz as pazes com a academia. E, agora é oficial: o Clint Eastwood é o cara! Simplesmente o melhor.

 

   



Escrito por Graciela às 12h26
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